
8 kg da silagem de gliricídia tem a mesma quantidade de proteína e o dobro de matéria seca de 1 kg de farelo de soja
O cultivo da leguminosa também é fácil e rápido. De acordo com
Amorim, o produtor deve fazer o plantio no início das chuvas. Se tiver
como molhar as plantas, em 4 meses já dá pra fazer o primeiro corte. Em
área de sequeiro é preciso esperar um pouco mais, para que ela
desenvolva melhor suas raízes. E complementa: “Daí pra frente, pode
cortar sempre que tiver material para ser armazenado. Quando mais corta
mais ela dá”.
Para demonstrar a facilidade no cultivo e os bons resultados da
produção, foram instalados Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs) nas
propriedades de 10 produtores, dois em cada município. Nessas áreas, a
leguminosa é plantada e cuidada pelo próprio produtor, com
acompanhamento dos técnicos, e a experiência pode ser observada por
outros interessados em dias de campo que são realizados pelo projeto.
Assim aconteceu na propriedade de Luiz Ferreira dos Santos Filho, no
Projeto de Irrigação Tatauí I, em Sobradinho (BA). A gliricídia foi
plantada em uma área de cerca de meio hectare e em 4 meses já estava em
ponto de corte. O material foi colhido e, com a participação de
moradores das redondezas, preparado para ser armazenado em um silo.
“Para os produtores é muito importante o armazenamento de forragem, e
nós vemos muito pouco isso nas propriedades. Se você quer criar,
primeiro tem que plantar para ter fonte de proteína e de energia”,
explica o técnico agrícola Geraldo Farias, da Embrapa Semiárido.
Outro produtor que teve um CAT instalado na área foi João Batista de
Oliveira Neto, do sítio Novo São Gonçalo, em Sobradinho (BA). No início
do projeto ele recebeu um tambor de silagem de gliricídia, e com a
experiência já foi possível observar os resultados. “Quando estava dando
a silagem, entrou o período de seca e o gado segurou a base, não
diminuiu nem aumentou. Quando acabou, ele perdeu peso e o leite também
diminuiu”, conta.
De acordo com Alberto Amorim, 8kg da silagem de gliricídia tem a
mesma quantidade de proteína e o dobro de matéria seca de 1kg de farelo
de soja, e fica por menos da metade do preço. A produção de alimentos no
próprio local, utilizando a mão de obra familiar e reduzindo a
dependência de insumos externos, é outra vantagem apontada pelo técnico.
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