Andrea se aproximou de padrasto durante reconstituição do sumiço do garoto (Foto: Érico Andrade/G1)
“Fiz o que a maioria das pessoas queria ter feito, foi um desabafo.” É
assim que a dona de casa Andrea Lara, de 36 anos, resume a ato
descontrolado durante a reconstituição do desaparecimento do menino Joaquim Ponte Marques, em Ribeirão Preto
(SP), na tarde de sexta-feira (22). Vizinha da casa onde a família
morava, Lara aproveitou o momento em que o padrasto do garoto, o técnico
em TI Guilherme Longo, passava pela rua ao lado dos peritos, se
aproximou e tentou agredi-lo.
A reconstituição foi marcada por um tumulto: durante o trajeto feito
pelo padrasto em direção ao local onde ele afirmou em depoimento que
teria ido comprar drogas, na madrugada do sumiço da criança, populares
furaram o bloqueio feito pela polícia e por pouco também não agrediram
Longo fisicamente, apesar de cavalos e motos da Polícia Militar
escoltarem o padrasto e os peritos.
Na volta para casa, policiais militares conseguiram conter a multidão
assim que Longo entrou na Rua Brigadeiro Tobias de Aguiar, onde fica a
casa em que a família morava. Apenas a imprensa e a polícia acompanha a
reconstituição, quando Andrea - que mora a cerca de 50 metros da
residência de Joaquim – saiu correndo de dentro da garagem e se
aproximou de Longo, que caminhava pelo meio da rua. “Foi uma atitude
explosiva, não consegui me controlar. Uma raiva muito grande tomou conta
de mim.”
Andrea Lara mora a cerca de 50 metros da casaonde Joaquim morava com a mãe e o padrasto
(Foto: Valdinei Malaguti/EPTV)
Policiais militares e peritos que acompanhavam a reconstituição
precisaram amparar Andrea, que chegou a um metro do padrasto, gritando
palavras de ódio como “drogado” e “assassino”. Longo não se assustou,
nem esboçou qualquer reação, continuando a explicar aos policiais como
retornou para casa, na madrugada do desaparecimento, após ir ao ponto de
venda de drogas.
“Eu só não bati nele porque eu seria presa e, se duvidasse, julgada
antes dele. Mas essa era a minha vontade. Ninguém chegou tão perto dele
quanto eu. Foi um desabafo que estava engasgado desde que o corpo do
menino foi encontrado. Senti muita raiva ao ver a falsidade na cara
dele”, disse Andrea.
Família 'normal'
A dona de casa contou que nunca teve um contato próximo com o padrasto e a mãe de Joaquim, a psicóloga Natália Ponte, destacando que viu o casal poucas vezes passeando com o bebê de quatro meses. Andrea disse ainda que a família de Joaquim era o que ela considera "normal" e afirmou que nenhum dos vizinhos sabia que Longo era usuário de drogas.
A dona de casa contou que nunca teve um contato próximo com o padrasto e a mãe de Joaquim, a psicóloga Natália Ponte, destacando que viu o casal poucas vezes passeando com o bebê de quatro meses. Andrea disse ainda que a família de Joaquim era o que ela considera "normal" e afirmou que nenhum dos vizinhos sabia que Longo era usuário de drogas.
“No dia em que o menino desapareceu, fomos solidários, tentamos ajudar.
Hoje eu me arrependo. Eles diziam para a gente ter fé, que o Joaquim
seria encontrado. Por que diziam isso? Eles são os culpados. A gente
sabe que foram eles”, afirmou Andrea.
Andrea furou bloqueio da PM e gritava palavras de ódio como 'assassino' e 'drogado' (Foto: Paulo Souza/EPTV)
Reconstituição
Por cerca de duas horas, Guilherme Longo refez os passos que afirmou, em depoimento à polícia, ter feito na madrugada do desaparecimento do enteado, Joaquim Ponte Marques, de 3 anos. Um boneco foi usado pela perícia para simular a criança. A mãe do garoto, Natália Ponte, foi dispensada da reconstituição pelo delegado Paulo Henrique Martins de Castro, que chefia as investigações.
Por cerca de duas horas, Guilherme Longo refez os passos que afirmou, em depoimento à polícia, ter feito na madrugada do desaparecimento do enteado, Joaquim Ponte Marques, de 3 anos. Um boneco foi usado pela perícia para simular a criança. A mãe do garoto, Natália Ponte, foi dispensada da reconstituição pelo delegado Paulo Henrique Martins de Castro, que chefia as investigações.
Apontado pela polícia como o principal suspeito pela morte de Joaquim,
Longo deixou o local da reconstituição em um camburão da Polícia Civil,
escoltado por outras duas viaturas, uma delas onde estava o delegado.
Cerca de 50 policiais militares realizaram a interdição das ruas ao
redor da casa onde o menino morava e desapareceu na madrugada de 5 de
novembro, no bairro Jardim Independência, em Ribeirão Preto (SP).

O caso
O corpo do garoto foi encontrado boiando no Rio Pardo, em Barretos (SP), cinco dias depois do desaparecimento. Ele foi enterrado em São Joaquim da Barra (SP), cidade natal da mãe, no dia 11 de novembro.
O corpo do garoto foi encontrado boiando no Rio Pardo, em Barretos (SP), cinco dias depois do desaparecimento. Ele foi enterrado em São Joaquim da Barra (SP), cidade natal da mãe, no dia 11 de novembro.
A mãe e o padrasto estão presos temporariamente, considerados suspeitos
de envolvimento no sumiço e na morte da criança. A Justiça decretou a
prisão temporária do casal por 30 dias. Nesta segunda-feira (18), a
Justiça também negou o pedido de revogação da prisão de Longo, que deve
pedir habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo.
O promotor que acompanha o caso, Marcus Túlio Nicolino, afirmou que a
polícia e o Ministério Público continuam trabalhando com ‘a linha de que
o assassino estava dentro da casa’.
A polícia suspeita que Joaquim, que era diabético, tenha recebido uma
alta dosagem de insulina, e que teria o levado à morte. Segundo o
Instituto Médico Legal (IML), não é possível determinar a causa da morte
da criança. As únicas lesões encontradas no corpo do menino foram na
pele, em razão dos dias em que foi arrastado pelo rio. De acordo com o
laudo, não foi encontrada água nos pulmões de Joaquim, o que indica que
não houve afogamento.
O delegado aguarda o resultado dos testes toxicológicos feitos nos
órgãos da criança e que devem ficar prontos em 20 dias. Para
especialistas, a morte causada por excesso de insulina pode não ser
detectada nos exames, já que o hormônio é rapidamente processado pelo
organismo.
Segundo a polícia, nos depoimentos prestados até agora o casal
apresenta contradições. Natália descreve um perfil agressivo do marido e
diz que ele sentia ciúmes dela e do enteado. Ela conta que já foi
ameaçada de morte por Longo e que ele castigava Joaquim. Sobre a relação
do casal, Natália afirma que desde janeiro os dois começaram a se
desentender.
No entanto, Longo nega as agressões e ameaças, e diz que não é uma
pessoa ciumenta. Ele afirma que tinha um bom relacionamento com Joaquim e
que era muito carinhoso com o menino. Segundo ele, o relacionamento com
Natália começou a ter um desgaste em setembro deste ano, quando ela
descobriu que ele havia voltado a usar cocaína.
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